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Revista Comunicar 25: Televisión de calidad (Vol. 13 - 2005)

TV, cinema e adolescentes: relações e inquietudes

Television, cinema and teenagers: relationship and aspirations

https://doi.org/10.3916/C25-2005-186

Tania-María Esperon-Porto

Aline Krause-Lemke

Abstract

La sociedad, al definir el lugar del adolescente, tiene ambivalencias que se reflejan en las actitudes de los educadores, que entienden esta fase como una de las más críticas y complejas. Una de las nuevas señas de la identidad juvenil es la reafirmación de la socialización en torno de las llamadas «tribus urbanas» o sea, sus motivaciones están en torno de categorías que constituyen las señales de un estar juntos, en una nueva solidaridad orgánica. En la dinámica de esas reapropiaciones por los jóvenes, los medios de comunicación, en especial la televisión, como una de las mediaciones sociales y culturales, constituyen un nuevo organizador perceptivo y un reorganizador de relaciones y experiencias sociales. ¿Quién es ese joven del siglo XXI? ¿Cómo vive? ¿Cómo es que el se relaciona con la televisión y el cine? ¿Cuáles son sus predilecciones? Son interrogantes que nos llevaron a querer escuchar, mirar y conocer quién es el adolescente, que muchas veces no logra comunicarse con el adulto. Conocerlos más de cerca, por medio de sus ojos y de sus relaciones con los medios, nos permitió diferentes formas de interpretación de su día a día para la comprensión de los significados atribuidos a las situaciones locales y eventos y consecuentemente establecer espacios de aprendizaje, de dialogo y comunicación con los sujetos escolares para mejor entender la escuela actual. Por tanto, trajimos datos de investigaciones por nosotros realizadas (en escuelas básicas de Pelotas/RS y SP/SP Brasil) con adolescentes que nos proporcionaran reflexiones acerca de sus intereses, relaciones e interacciones con la televisión, cine y con la sociedad en general. Para recoger datos, utilizamos la observación participante, el cuestionario, la entrevista no estructurada y la realización de vivencias, con los adolescentes con los medios, en especial, con la TV y el Cine. Las experiencias con los medios de comunicación tienen por objetivo contribuir para la motivación, funcionar como preparación y, sobre todo, provocar la reflexión en los adolescentes. Así los datos nos proporcionarán conocer y actuar de acuerdo con la realidad de estos jóvenes que tienen tantas cosas para contarnos y muchas veces no les son ofrecidos los espacios ni el tiempo necesario. Comprender lo que los movilizan y las actividades con las cuales se envuelven es una forma de que nosotros profesores e investigadores tengamos elementos para el ejercicio de la docencia y de la ciudadanía, en el contexto de nuestra actuación.

Society shows a double bind, as it defines adolescents´ place. This is reflected on the attitude of the educators, who understand this phase as the most critical and complex. One among the new passwords for youth is the redesigning of sociability around the so-called “urban tribes”; in other words, young people are motivated by categories that signal to being together and to a new organic solidarity. In the dynamicity of such re-appropriations by adolescents, the means of communication, specially tv, as social and cultural mediators, become new perceptual organizer and re-organizer that act upon relationships and social experiences. Who is this XXI century young person? Howdoes he live? How does he relate to the tv? What does he like?...

Keywords

Adolescentes, medios de comunicación, cine, interrogantes.

Teenagers, communication media, cinema, questions.

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1. A sociedade atual e os meios de comunicação

O modo capitalista de pensar e viver a sociedade reflete-se na programação e produção dos meios de comunicação que, em sua maioria, não assumem compromissos com a formação e informação dos telespectadores, utilizando-se de suas imagens/mensagens para difundir ideologias.

Em geral, priorizam o aspecto comercial e industrial, assumindo como compromisso a divulgação de mensagens e informações padronizadas para atender e/ou criar necessidades nos indivíduos consumidores. Visam a aproximar o consumidor e o produto, estabelecendo, como veiculador, o prazer, o entretenimento e o envolvimento. O produto embalado e vendido coloca-se como objeto de desejo e, sendo sentido como necessidade prática, passa a ter utilidade como bem de consumo.

O que orienta a circulação dessa cultura é a lógica de mercado, e os meios de comunicação, com o poder de suas imagens/mensagens, conquistam o público, criando gosto e promovendo modismos. Os meios são dualistas: retratam a vida porque precisam ser inteligíveis para o público que querem atingir e guiam-se pelos interesses da sociedade consumista que ajudam a construir.

No Brasil, por mais que a legislação da radio difusão brasileira (Decreto 52.795/63) estabeleça que os programas devam ter finalidades artísticas, educativas, culturais e informativas, observamos, nos canais comerciais de televisão, torrentes de merchandising e apelos consumistas, acompanhados de lições de competitividade, erotismo e violência presentes na realidade da ficção e na ficção da realidade.

As pesquisas (Penteado,1991; Porto, 2000, 2005; Gomes, 2003) indicam que, a maioria dos programas e das informações transmitidas no meio televisivo direciona-se para o público adulto. Mesmo nos horários mais destinados às crianças e aos jovens, os intervalos comerciais são preenchidos com estímulos consumistas (muitos dos quais falam para a criança com poder aquisitivo) com cenas de violência e sensualismo, utilizadas nas chamadas da programação para os adultos, cuja preocupação está distanciada do consumidor infantil. Estes meios abarcam todo tipo de público, independentemente da idade, sexo, classe social, raça ou religião, além de constituir-se na principal fonte de entretenimento das classes sociais menos favorecidas socioeconomicamente. O poder de penetração, a rapidez, dinamismo e atualização das mensagens que difundem, exercem um papel socializador de amplo alcance.

Estão presentes em todos os espaços de relações, mediatizando-as e criando a ilusão de uma sociedade de iguais, segundo um realismo presente nestes meios (Sarlo, 1998). Novas formas de pensar, de agir, de se comunicar e de produzir são introduzidas como hábitos corriqueiros. São vencidas barreiras geográficas e criadas ilusões de aproximações culturais, apesar das diferenças econômicas e dos obstáculos socioculturais que se interpõem para a consecução dos desejos dos cidadãos. As distâncias e espaços que os meios tendem a aproximar e a globalizar concorrem para que as necessidades assemelhem-se, mesmo que para muitos, a satisfação destas não se concretize.

Os meios de comunicação trabalham com diferentes linguagens. Respondem às necessidades de quem os vêem, explorando a imaginação, os sentimentos e a emoção na dualidade ficção e realidade. Neste contexto, o homem da civilização técnico-eletrônica e audiovisual, no entender de Babin e Koulomdjian (1989), conecta intimamente a sensação à compreensão, a coloração sensório-afetiva ao conceito. Sem afetividade, não há audiovisual. As novas linguagens que interconectam e aproximam os indivíduos, treinam múltiplas atitudes perceptivas, solicitando, constantemente, a imaginação, investindo na afetividade e relações, como papel de mediação primordial no mundo.

Assim, os telespectadores, em especial os adolescentes, evidenciam atitudes e ações impregnadas por modelos dos meios de comunicação.

2. A pesquisa e os adolescentes

Apoiando-nos nos desafios, caminhos e possibilidades encontrados nas relações dos sujeitos escolares com os meios de comunicação, trazemos alguns dados levantados em situações dialógico-interativas vividas por pesquisadores, professores e jovens estudantes – sujeitos singulares pertencentes a um grupo interdisciplinar de pesquisa. Os dados proporcionaram-nos reflexões acerca dos interesses, relações e interações dos adolescentes com os meios de comunicação, em especial televisão e cinema. Para coleta de dados, utilizamos a observação participante, o questionário, a entrevista não-estruturada e a realização de vivências com adolescentes de escolas públicas com 11 a 17 anos, as quais propiciaram explicitação de suas subjetividades.

Em nossas pesquisas (apoioFAPERGS e CNPq), os dados mostraram que os jovens mantêm forte ligação com a TV e com o rádio, revelando a importância que exercem em suas vidas. Muitas vezes os meios suprem carências e necessidades, bem como servem de modelos/referenciais para sua vida de relações.

Para os adolescentes pesquisados olhar TV é normal (Charles, 15 anos), pois está fortemente presente em seu cotidiano. Eles desconhecem uma casa sem TV. Esse meio faz parte das relações familiares, conectando comunidades numa espécie de informações, experiências e relações idênticas que delimitam referenciais em torno dos quais se organiza a «grande família» unida pelas informações e imagens veiculadas neste meio tecnológico e comunicacional.Os temas abordados nos programas televisivos assumem um caráter real e uma forte presença nas conversas dos jovens com os amigos e familiares.

Os questionários e as entrevistas com os estudantes apontaram que, dentre a programação televisiva, eles vêem mais programação de adulto, priorizando as telenovelas e filmes que enfatizam a sátira, o humor e a ficção.

Merlo Flores, em pesquisa sobre escolhas televisivas de crianças e adolescentes, constatou que eles elegem como programação preferida, aquela que tenha relação com suas realidades específicas «tanto individuais como familiares ou sociais» (2003: 160). Ainda segundo a autora, o selecionado é utilizado como mecanismo compensador para conseguir o equilíbrio pessoal, embora a televisão não esteja a serviço dessa causa. Cada indivíduo enfrenta a vida a partir de suas ferramentas e o uso de uma determinada situação tem a ver com vivências e conceitos construídos nesses processos.

Assim, entendemos adolescência como uma produção histórica, social, cultural e econômica; embora há algum tempo, existissem conceitos e comportamentos definidores, levando-nos a classificar, emoldurar e justificar os «perfis do adolescente», os quais não explicam mais os comportamentos deles na atualidade (Porto, 2005: 138).

Una formación del profesorado que les permita un conocimiento integral de todos los aspectos tecnológicos, humanísticos, expresivos y comunicativos, poniendo las TIC y los medios de comunicación al servicio de la educación y de la formación de ciudadanos críticos y participativos.

Incluir en los planes de formación del profesorado la reflexión sobre los modelos de formación, trabajando en estrecha relación los profesionales de los niveles básicos de la enseñanza, incluida la Universidad.

Apoyar la petición de diversos colectivos profesionales de creación, a la mayor brevedad posible, de un Consejo del Audiovisual que supervise los contenidos de los medios, vele por la libertad de expresión y recoja las demandas de los ciudadanos y que en dicho consejo participen personas que representen el ámbito educativo.

Referencias

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