Autora: Amor Pérez-Rodríguez – Tradução: Lilian Ribeiro A publicação de uma obra envolve uma série de escolhas, uma delas, e a mais importante, é a seleção da revista. Normalmente se faz considerando o escopo do estudo, a área do conhecimento e a qualidade do trabalho. Frequentemente existem outros tipos de circunstâncias, menos científicas, decorrentes de pressões […]

Autora: Amor Pérez-Rodríguez – Tradução: Lilian Ribeiro

A publicação de uma obra envolve uma série de escolhas, uma delas, e a mais importante, é a seleção da revista. Normalmente se faz considerando o escopo do estudo, a área do conhecimento e a qualidade do trabalho. Frequentemente existem outros tipos de circunstâncias, menos científicas, decorrentes de pressões acadêmicas e da “necessidade” de se obter um certo número de publicações de primeiro nível. O importante é não perder o sentido do que implica o estudo realizado e do que significa publicar. O primeiro não deve ser condicionado pelo segundo. Não é investigado para publicar em uma determinada revista. Isso iria contra o que significa fazer ciência. No entanto, muitas vezes é uma etapa do processo de investigação que deve ser realizada de forma objetiva e honesta.

A premissa fundamental para uma boa pesquisa é o conhecimento do assunto. Esse é o resultado de leituras relacionadas ao estudo, fundamentalmente as melhores, encontradas em periódicos da área, indexadas de acordo com os cânones de impacto e referência. Quem investiga conhece as publicações em que são divulgados os textos mais relevantes em sua área. E com isso adquirem as chaves de seu campo de conhecimento, teorias, correntes, referências, discussões, estados da arte, contribuições significativas … E, também, discriminam aquelas outras em que os critérios científicos não são tão transparentes, os as contribuições não têm tanta ou nenhuma relevância e as regras são mais flexíveis. Esse conhecimento permite ao pesquisador / autor ter consciência do nível de seu trabalho. E, consequentemente, decida publicar em revistas de primeira linha, ou não. Esse exercício de humildade e honestidade investigativa é essencial e pouparia muitas frustrações.

Para publicar, é prioritário levar em consideração o tema, o método de pesquisa utilizado e o objeto de estudo ou foco do trabalho. Desse modo, é relativamente fácil decidir onde publicar, se considerarmos os objetivos e a abrangência da revista para a qual nos propomos a enviar.



O tema da pesquisa, sua novidade, a quem se dirige e a possibilidade de sua obsolescência também determinam a escolha. Se a revista escolhida tiver um processo de publicação demorado, edições novas e atuais podem expirar. O tópico da Covid destacou a pressa em publicar descobertas importantes e como os periódicos se adaptaram, incluindo convocatórias específicas para aumentar o ritmo dessas publicações.

O regulamento da revista é outro indicador relevante para decidir se é uma boa escolha. Os artigos são frequentemente submetidos a periódicos que não atendem aos seus requisitos formais. Isso dá uma ideia do desconhecimento do pesquisador sobre a revista em questão e pode ter um impacto considerável no trabalho (extensão de citações, figuras, método, …).

O impacto do periódico é outro fator determinante, embora para levá-lo em consideração seja conveniente avaliar a abrangência da pesquisa realizada e as possibilidades de que o periódico selecionado a considere como uma contribuição valiosa.

Portanto, decidir onde publicar é mais uma tarefa do processo de pesquisa que implica rigor, sobretudo, na leitura das revistas da área, no conhecimento do assunto, na qualidade da pesquisa e na honestidade de quem ou quem assina o trabalho.  Para selecionar uma revista de acordo com seu nível. Considerar exclusivamente o impacto da publicação, no processo final, é um erro.

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