Autor: Angel Hernando Gómez – Tradução: Lilian Ribeiro

Uma vez terminada a redação do manuscrito, temos que dar o último passo para divulgar nossa pesquisa, tentar publicar os resultados desta em uma revista científica. A escolha da revista mais adequada para o envio do nosso artigo para publicação é de extrema importância, pois, mesmo que o trabalho realizado seja bom, se não for feito corretamente, a possibilidade de ser publicado é reduzida.

A seguir, uma série de dicas que podem ajudar na escolha da revista mais adequada para o nosso trabalho. Antes de começar, lembre-se, como indicamos em outra postagem da Escola de Autores, do conselho para fugir de revistas fraudulentas ou predatórias https://bit.ly/3cX58yt

• Em primeiro lugar, é necessário consultar a cobertura temática da revista e o tipo de contribuições que publica, para isso nada melhor do que rever o seu site onde, se bem realizado, encontraremos a maioria dos aspectos mencionados a seguir. Um elemento que facilita essa busca pelo assunto é o fato de a revista publicar monografias, com suas respectivas convocatórias a autores sobre diversos temas, para isso é conveniente se cadastrar na web e acompanhar as convocatórias de revistas da nossa área que podem ser o assunto de nossas remessas.

• É importante também lembrar a importância de verificar alguns dos artigos publicados pela revista, isso nos permitirá conhecer o formato, os idiomas em que publica, a estrutura dos trabalhos, as metodologias utilizadas, etc. além de garantir que trabalhos relevantes sobre o tema de nossas pesquisas já publicados na revista não possam ser esquecidos. Em suma, insista na ideia de ter selecionado os possíveis periódicos nos quais possamos publicar nossa pesquisa, ler manuscritos desses periódicos, ser registrados em seus sistemas de alerta e acompanhar o que neles é publicado.

• Claro, é fundamental levar em consideração onde a revista está indexada e seu fator de impacto (sua importância depende, em muitos casos, da necessidade que temos de avançar na carreira acadêmica ou obter progressão de carreira, já que cada especialidade tem seus requisitos ) Temos que publicar o nosso trabalho no melhor local possível, mas, embora recomendemos ser otimistas na escolha, também devemos ser realistas. A qualidade da nossa investigação e o fato de ser local ou internacional, devemos tê-los em consideração ao “almejar” maior ou menor, visto que, obviamente, todas as investigações que realizamos não têm a mesma qualidade e design.

• É necessário verificar também o quartil em que o periódico está localizado e, principalmente, se está no quarto quartil. Mesmo se selecionarmos um periódico por Fator de Impacto, devemos levar em consideração sua evolução. Por exemplo, se enviarmos o trabalho em 2020, provavelmente será publicado em 2021, então o Fator de Impacto pode variar, para cima ou para baixo. Nosso conselho é evitar revistas com tendências negativas.

• Outro aspecto que temos que controlar sobre a revista é que ela tem os tempos publicados em seu site, ou seja, a existência de um período de estimativa de aceitação e recusa. Se a revista não os publicar, será difícil para nós darmos seguimento ao manuscrito submetido para avaliação.

• Temos que considerar também a periodicidade de publicação da revista, não é o mesmo que a revista publica dois números por ano com dez manuscritos (sendo semestral) do que, se publica, três, quatro ou doze (sendo mensal). Com base de dados e quartil iguais, é preferível enviar nosso artigo para aquele que publica o maior número de manuscritos por ano e, em nossa opinião e por múltiplas razões, evitar os anuais.

• Também é conveniente verificar a seção de estatísticas dos periódicos e, principalmente, as taxas de rejeição (percentual de rejeição de manuscritos por número) e aceitação (percentual de aceitação de manuscritos por número) destes. Os periódicos mais bem posicionados nas principais bases de dados (com base em seu Fator de Impacto) possuem processos de revisão mais rígidos e exigentes e, geralmente, as revisões são realizadas por especialistas na área. Não devemos esquecer que recebem muito mais manuscritos, portanto, mantendo o número de artigos publicados por ano, são obrigados a rejeitar muitos trabalhos e normalmente não ficam com “fila de espera” de artigos para publicar, mas fecham o processo a cada número, aceitando e publicando apenas as melhores obras e rejeitando o resto. Tudo isso deve ser levado em conta principalmente se temos pressa em publicar nosso trabalho.

Outra dica é não se concentrar apenas na tentativa de publicar em um campo específico, por exemplo, pesquisadores da área de educação podem publicar em periódicos dessa área, mas também buscar periódicos de áreas afins em que possam publicar seus trabalhos, embora não ser de sua área específica.

Por fim, alertar, principalmente aos pesquisadores mais novos (os mais seniores já passaram por rejeições em mais de uma ocasião) sobre a necessidade de perseverar na tentativa e não deixar “dormir” um manuscrito rejeitado em periódico. Se a rejeição for acompanhada de protocolos de avaliação dos revisores e eles contiverem recomendações pertinentes, aconselhamos fazer as alterações e melhorias no menor tempo possível e escolher, entre as revistas de nossa área que já selecionamos, a próxima para a qual enviar o artigo. O fato de nosso trabalho ser rejeitado nem sempre implica que ele não seja de qualidade suficiente (há muitos trabalhos excelentes que foram rejeitados em primeiro lugar e posteriormente publicados em revistas científicas de alto impacto), o que implica que naquele Nosso trabalho não lhe parece pertinente publicá-lo naquela época, o que é preciso é encontrar outro em que nosso trabalho “se encaixe”.

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