Blog da Revista Comunicar

NOVA DATA PARA O ABRAPCORP 2020

Considerando o avanço do coronavírus (COVID-19) no Brasil e as determinações dos protocolos dos órgãos públicos de saúde sobre as providências a serem seguidas, o XIV Congresso Abrapcorp será realizado no formato online entre os dias 28 de setembro a 02 de outubro, com atividades do pré-Congresso entre os dias 21 e 25 de setembro.

Anualmente realizado desde 2006, o Congresso Abrapcorp se consolidou como o principal evento científico de Comunicação Organizacional e Relações Públicas em nosso país, configurando um espaço qualificado para a troca e para a construção conjunta de conhecimento em tais áreas. A realização do evento no formato virtual em 2020 será um importante marco histórico, sinalizando não apenas a resiliência e a importância das discussões sobre Comunicação Organizacional e Relações Públicas no contexto social contemporâneo, como também a ampliação dos espaços e formatos visando acomodar uma pluralidade cada vez maior de vozes.

Com o tema “Comunicação, inovação e organizações”, o evento será adaptado para o ambiente virtual, e contará com um novo cronograma de submissões e novos valores de inscrição. Dessa forma, a submissão de artigos está prorrogada até o dia 02 de agosto, nas seguintes modalidades:

– Grupos de Trabalho para submissão de pesquisas de pós-graduandos, professores e profissionais de mercado: http://bit.ly/32CxTwY

– Espaço Jovem Pesquisador para a apresentação de graduandos e recém-graduados, com categorias para: Iniciações Científicas, TCCs (teóricos e aplicados) e trabalhos de disciplinas: http://bit.ly/2T8S96b

– Colóquio Acadêmico para contribuir com a formação dos professores universitários, com a possibilidade de apresentação de práticas docentes: http://bit.ly/2Tn4sL4

– Prêmio Abrapcorp para selecionar TCCs, teses e dissertações de destaque na área: http://bit.ly/2uCLWWw

Calendário revisado para o XIV Congresso Abrapcorp

– 24 de junho a 02 de agosto: novo período para submissão de trabalhos;

– 24 de junho a 02 de agosto: novo período de inscrição no Prêmio Abrapcorp de Teses, Dissertações e Prêmio Abrapcorp Jovem Pesquisador;

– 02 de agosto a 31 de agosto: avaliação dos trabalhos submetidos;

– 03 de setembro: divulgação dos trabalhos aprovados e finalistas dos Prêmios Abrapcorp 2020.

– 15 de setembro: prazo máximo para pagamento das inscrições dos autores de trabalhos aprovados e finalistas dos Prêmios.

Programação

A programação detalhada das atividades será divulgada em breve. Estamos trabalhando com o compromisso de manter o máximo possível de atividades previamente divulgadas na nova programação. Dentre as atividades presentes estarão oficinas para estudantes de graduação, o ComScience o Colóquio Acadêmico de formação docente, as Mesas de Discussão, os Grupos de Trabalho e os Espaços Jovem Pesquisador.

Pré-congresso: 21 a 25 de setembro de 2020 – Período de atividades: tarde e noite.

Congresso: 28 de setembro a 02 de outubro – Período de atividades: tarde e noite.

Texto reproduzido a partir de: www.abrapcorp.org.br

Pandemia tem agravado exposição de crianças e adolescentes em mídias sociais

Embora a exposição pública de crianças e adolescentes não seja um problema exclusivo dos dias atuais, a junção de dois fatores tem potencializado as conseqüências oriundas dessas ações: a emergência das mídias sociais e o isolamento social resultante da pandemia do novo coronavírus (COVID-19).

            A recomendação de isolamento social, feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir a contaminação pelo novo coronavírus, tem feito com que a utilização das mídias sociais se torne mais intensa porque esta tem sido a forma pela qual as pessoas podem expressar sua presença – ainda que virtual – por meio de publicações de conteúdos diversos, tais como: vídeos, fotos e textos. Tais publicações, no entanto, acabam sendo especialmente preocupantes quando expõem publicamente crianças e adolescentes. Mais preocupante ainda é o fato de que, na maior parte das vezes, o compartilhamento de fotos e vídeos de bebês e crianças nas mídias sociais, é feito pelos próprios pais. Essa prática tem sido denominada como “sharenting“, uma combinação das palavras, em inglês, “share” (compartilhar) e “parenting” (ato de ser pai ou mãe).

           

A pesquisa realizada pela Avast no Brasil em abril deste ano ouviu cerca de 500 pais e mães no país e revelou dados interessantes sobre suas práticas de compartilhamento de conteúdo nas mídias sociais. Os dados compilados pelo Tecmundo revelaram que:

  • 33% dos entrevistados informaram já ter publicado uma foto do seu filho menor de idade, sem pedir sua permissão e sem nenhum tipo de restrição que impeça a identificação da criança;
  • 12% admitiram ter publicado uma foto das crianças, mas borrando ou cobrindo seus rostos, para impedir a identificação;
  • 24% disseram que só compartilham imagens dos filhos sob sua permissão, mas não cobrem seus rostos;

            É interessante observar que a mesma pesquisa questionou pais e mães sobre os riscos associados à publicação de fotos de menores na internet. De acordo com os dados divulgados pela Avast, “Para 60% dos entrevistados, um dos maiores riscos seria o fato das imagens dos menores serem compartilhadas além das conexões com os familiares e amigos, e chegarem na mão de estranhos. Dentre os entrevistados, 63% expressaram que, para eles, o maior risco é que as crianças possam ser vistas ou contatadas por abusadores sexuais. Além disso, 40% dos pais no Brasil apontaram o risco dos menores serem vítimas de cyberbullies”.

            Desta forma, fica o questionamento: se os pais e mães sabem dos riscos implicados, por qual razão continuam a publicar fotos e vídeos de seus filhos nas mídias sociais? Quais são os fatores que exercem influência nesse tipo de comportamento?

            O estudo realizado por Hinojo-Lucena, Aznar-Díaz, Cáceres-Reche, Trujillo-Torres e Romero-Rodríguez (2020) demonstra que, na Espanha, esta prática está intimamente relacionada à idade, gênero e situação laboral dos pais. Os autores também discutem as implicações destes resultados no que se refere à proteção da privacidade dos menores e também destacam a necessidade de formação para a segurança na internet.

Estudo completo

Hinojo-Lucena, F., Aznar-Díaz, I., Cáceres-Reche, M., Trujillo-Torres, J., & Romero-Rodríguez, J. (2020). Sharenting: Internet addiction, self-control and online photos of underage children. [Sharenting: Adicción a Internet, autocontrol y fotografías online de menores]. Comunicar, 64, 97-108. https://doi.org/10.3916/C64-2020-09

Oportunidade de pós-doutorado com Canclini

A Cátedra Olavo Setubal de Arte, Cultura e Ciência, parceria do IEA com o Itaú Cultural, lançou edital para seleção de um pesquisador de pós-doutorado nas áreas de antropologia, sociologia, ciência política, humanidades, comunicação, artes, história da arte, crítica de arte ou afins. O bolsista irá atuar nas atividades acadêmicas da cátedra, ao lado do titular de 2020-2021, o antropólogo cultural Néstor García Canclini, no projeto “A Institucionalidade da Cultura no Contexto Atual de Mudanças Socioculturais”.

As inscrições para concorrer à vaga se iniciam em 1º de julho e irão até o dia 20 do mesmo mês, e devem ser realizadas no site do IEA. O selecionado participará do Programa de Pós-Doutorado da USP e receberá bolsa no valor de R$ 7.373,10, por um período de 12 meses (de setembro de 2020 a agosto de 2021), podendo ser prorrogada por, no máximo, mais um ano. O trabalho será em regime de dedicação integral, na sede do IEA-USP (ou a distância, durante o período de isolamento social).

O bolsista manterá interlocução periódica com o catedrático e com a coordenação da cátedra, acompanhará as atividades realizadas durante a titularidade, e apresentará relatórios parciais e um final.

Para se candidatar, será necessário realizar o upload dos seguintes documentos no momento da inscrição:

1. currículo atualizado;

2. plano de pesquisa que pretende desenvolver, adequado às normas do Programa de Pós-doutorado da USP;

3. carta de apresentação com a motivação e interesse no tema da institucionalidade da cultura no contexto atual de mudanças socioculturais, destacando habilidades e capacitação que contribuam com as atividades da cátedra;

4. algum item de produção acadêmica relacionada às áreas temáticas abrangidas por este edital (artigo, dissertação ou tese etc.).

Seleção

O pesquisador deverá ter comprovadamente desempenho acadêmico e produção científica relacionados ao tema da institucionalidade da cultura e/ou a conceitos como cidadania, consumo, acesso, participação e redes sociais. Espera-se ainda que o candidato tenha experiência em pesquisas sobre tendências em redes e/ou em sociologia ou antropologia de redes. Também é necessário comprovar domínio de espanhol e inglês, e é desejável que tenha experiência profissional ou acadêmica em outro país.

A lista dos candidatos selecionados na primeira etapa do processo será divulgada no dia 3 de agosto, no site do IEA. Entre os dias 4 e 17 do mesmo mês, eles serão entrevistados pela coordenação da cátedra e por Canclini, em conversas em português, inglês e espanhol. O resultado final será publicado no dia 20 de agosto, também no site do IEA.

Texto reproduzido a partir de: http://www.iea.usp.br/noticias/catedra-pos-doutorado-nestor-canclini

A UNESCO reconhece internacionalmente a nossa revista ‘Comunicar’ com o ‘Global MIL Awards’ 2019, na Suécia

Autora: Maricarmen Caldeiro / Tradução: Ana Barbosa, Universidade do Minho – Portugal

UNESCO

No congresso mundial ‘Global Media andInformationLiteracy’ (GAPMIL-UNESCO), celebrado na cidade sueca de Gotemburgo, de 24 a 31 de setembro de 2019, com a assistência dos líderes internacionais em ‘Media andInformationLiteracy’ da UNESCO (http://bit.ly/2lqEZTP), a revista científica ‘Comunicar’ e o seu editor-chefe, o catedrático desta universidade, Doutor Ignacio Aguaded, foram distinguidos com o GAPMIL Awards 2019 (http://bit.ly/2lpxXyO). Trata-se do maior reconhecimento da UNESCO neste campo, entre as mais de 70 candidaturas de todo o mundo apresentadas este ano.

A Global Alliance for Partnershipson Media andInformationLiteracy (GAPMIL-UNESCO) destaca o trabalho da ‘Comunicar’, editada pelo Grupo Comunicar há 27 anos, pelo seu incentivo à Alfabetização mediática, como a revista científica mais importante do mundo dentro da sua especialidade, centrada nas áreas da Educação, Comunicação, Ciências Sociais e Estudos Culturais. Esta revista encontra-se indexada em 726 bases de dados internacionais seletivas, é a 5ª revista do mundo na sua especialidade em Scopus (Q1, top 1% mundial) e a 9ª do mundo JCR (Q1, top 4% mundial), situando-se o 1º lugar do ranking mundial Google top100 em espanhol em 2019. Conta com um amplo conselho científico internacional e uma rede pública de 640 revisores científicos de 48 países dos cinco continentes. Nela foram publicados 1800 artigos com temas, autores e leitores internacionais desde 1993 no campo da Alfabetização mediática e informacional (AMI), nas suas múltiplas versões (bilingue em espanhol e inglês, e resumos em chinês e português).

Sem dúvida, este reconhecimento mundial valoriza alarga e variada trajetória da publicação no âmbito da alfabetização mediática e do Grupo Comunicar, associação Andaluz sem fins lucrativos, comunidade veterana em Espanha de ‘Media Literacy’ (desde 1983). Daniela Jaramillo e ArantxaVizcaíno, em representação do Grupo, se deslocaram até Gotemburgo para receber o prémio. Agradeceram à UNESCO e ao Comité Internacional este importante galardão e destacaram a importância de dar visibilidade científica à ‘Media andInformationLiteracy’ e a todas as vozes que a tornam possível. Por sua vez, o editor-chefe da revista, o Doutor Ignacio Aguaded expressou a sua satisfação pela distinção que se estendeu aos milhares de editores, revisores e autores que, com o seu trabalho, contribuem para a relevância social e científica deste tema na ‘sociedade dosecrãs’. Neste sentido, afirmou que a revista continuará a sua linha de progressão para ser o canal privilegiado dos investigadores do mundo em educomunicação.

Pode ouvir um extrato do ato em direto em Gotemburgo aqui

O FoMO nos adolescentes, ou o medo de se sentirem excluídos

Autora: Sara Román / Tradução: Diana Marques e Patrícia Martins, Universidade do Minho – Portugal

FOMO

Poderão encontrar o artigo que comentamos no número 59 da revista Comunicar; foi escrito por Lidia-E. Santana-Vega, Ana Mª Gómez-Muñoz e Luis Feliciano-García, da Universidade de La Laguna, e apresenta um estudo que analisa o uso problemático do telemóvel, o “FearofMissing Out” (FoMO) e a comunicação parento-filial em estudantes entre os 12 e os 19 anos.

Para os jovens da “Geração Z”, o telemóvel é uma ferramenta multiuso que facilita, em tempo real, a gestão tanto das suas relações sociais, como dos grupos a que pertencem. Embora   não seja prejudicial por si só, e o uso adequado possa até ter efeitos benéficos, é importante estudar os efeitos que provocam o uso excessivo, para clarificar as vulnerabilidades a que estão sujeitos os adolescentes face ao uso do telemóvel.

Neste estudo participaram 569 estudantes do ensino secundário de Maiorca, Valência e Tenerife. Entre os resultados é importante destacar a observação do uso problemático do telemóvel entre os estudantes destas idades, mediado pela síndrome FoMO e pela ansiedade, bem como em relação com a qualidade das relações parento-filiais. O telemóvel pode ser uma ferramenta para manter a comunicação e a ligação na idade adolescente, por isso é necessário estabelecer medidas que promovam um uso responsável do mesmo.

Podem aceder a este interessante artigo e lê-lo na íntegra, aqui.

Como citar este texto: Santana-Vega, L., Gómez-Muñoz, A. & Feliciano-García, L. (2019). Adolescentsproblematic mobile phone use, FearofMissing Out andfamilycommunication .[Uso problemático del móvil, fobia a sentirse excluido y comunicación familiar de los adolescentes]. Comunicar, 59, 39-47. https://doi.org/10.3916/C59-2019-04

A geração Google deixou de ler em papel?

Tradução: Daniela Filipa Portela Miranda, Diana Catarina Rodrigues Bezerra (Univ. do Minho/ Portugal)

generaciongoogle

Um inquérito a uma amostra de 894 estudantes de cinco cursos de duas universidades chilenas permitiu conhecer os hábitos de leitura de indivíduos de idades e níveis de escolarização diferentes, assim como a sua opinião relativamente ao consumo de materiais de leitura.

Este artigo mostra os resultados de um estudo que descreve os hábitos relatados por estudantes universitários de duas áreas disciplinares (ciências humanas e ciências económicas e administrativas) relativos à leitura em formatos papel e digital para três fins: académico, entretenimento e procura de informação.

Os resultados revelam que os leitores têm uma tendência clara a preferir maioritariamente o papel, sem que a área disciplinar de origem influencie de forma radical as suas preferências.

Tudo isto, em geral, leva-nos a concluir que atualmente existe uma geração em transição «Gutenberg-Google», a qual ainda reconhece e dá grande importância ao suporte em papel, particularmente no que diz respeito a fins académicos.

Segundo as descobertas do presente estudo e outros relativamente semelhantes, nascer numa determinada época ou a partir de um ano um tanto messiânico (como 1993) não seria garantia «sine qua non» de ser um leitor eminentemente digital.

Isso significa que é necessário fazer uma distinção entre o uso de tecnologias para fins de entretenimento e diversão, e o uso de tecnologias para pesquisa de dados, para uso académico e para a construção de uma aprendizagem duradoura e solidamente construída.

Como citar o artigo:

Parodi, J., Moreno de León, T., Julio, C. & Burdiles, G. (2019). Generación Google o Generación Gutenberg: Hábitos y propósitos de lectura en estudiantes universitarios chilenos. [Google or Gutenberg Generation: Chilean university students’ reading habits and reading purposes]. Comunicar, 58, 85-94. DOI https://doi.org/10.3916/C58-2019-08

Post original em espanhol – Autora:  

Este post faz parte do projeto de tradução coordenado por Lola Lerma Sanchis e Lilian Ribeiro.

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A desinformação aviva a violência no meio da crise dos países sul-americanos

Tradução: Eliana Seara e Rafaela Oliveira (Universidade do Minho/ Portugal)

falsoAmérica do Sul tornou-se o cenário de uma crise política de grande complexidade que motivou tumultos e mudanças em alguns governos.

Fotografias, vídeos, declarações falsas e outras retiradas do contexto são difundidas em massa provocando pânico, ira e inusitadas ondas de violência. Este fenómeno está relacionado com três aspetos: o primeiro é a falta de informação que permita compreender o que acontece em cada país; o segundo é a  escassa credibilidade relativamente aos meios de informação tradicionais, o que levou os usuários a procurar meios alternativos, e a terceira é a falta de competências mediáticasdos usuários para distinguir a informação verdadeira da que não o é.

No Equador, as medidas económicas anunciadas pelo presidente Lenin Moreno no início de outubro foram rejeitadas por diversos setores sociais, os quais protagonizaram mobilizações durante 12 dias. Neste período tiveram lugar atos criminosos e violentos que obrigaram o governo a decretar estado de emergência.

Nas redes sociais tornaram-se virais fakenews sobre supostas interferências de outros países nas medidas económicas, o falso pagamento a migrantes venezuelanos com dinheiros públicos, a redução dos salários, a remissãode dívidas para milionários e empresários, mortes e atos de violência contra manifestantes por parte do Ministério da Defesa, entre outros.

De forma a combater a informação falsa, o governo levou a cabo uma campanha em massa de SMS através das três principais operadoras de telecomunicações do país. As mensagens tinham como objetivo desmentir os rumores que circulavam nas redes sociais e apaziguar as massas tendo em conta os atos de vandalismo registados a nível nacional.

O Chile vive um momento crítico desde o dia 18 de outubro, devido a medidas económicas adotadas pelo governo. Apesar de o presidente Sebastián Piñera ter decidido recuar com as decisões anunciadas, a onda de protestos tem vindo a aumentar pelos problemas acumulados ao longo das últimas décadas. O povo chileno pede mudanças na constituição.

Desaparecidos, cortes em serviços básicos, fogo posto em hospitais, escolas e outros recintos, planos extremistas para travar protestos, polícias a consumir drogas, declarações falsas do presidente, assassinato de manifestantes e outras foram as fakenews com maior difusão durante as quatro semanas de protestos.

Na Bolivia os protestos começaram a 20 de outubro depois de uma controversa contagem de votos da primeira volta das eleições presidenciais do país. Com 84% de votos apurados, os resultados apontavam para uma segunda volta, mas ao finalizar a mesma determinou-se o triunfo de Evo Morales, reeleito pela quarta vez.

A escassa transparência nos resultados finais provocou a onda de rumores sobre o tema: interferência russa a favor de Morales, informação comprometedora da oposição sobre Morales, a sua próxima com apoio militar, entre outros. A situação ficou fora de controlo com a divulgação de uma fotografia falsa de um jovem queimado por simpatizantes de Morales. Fruto da violência que despoletou esta informação, duas pessoas morreram e tentaram queimar uma outra como forma de represália, comprovando-se depois que a imagem correspondia a um acontecimento no México.

Está claro que a Internet possibilitou a criação de meios alternativos de informação, mas ainda é necessário investir na promoção do seu uso responsável e na formação dos usuários relativamente ao consumo da informação. Embora as crises nos países sul-americanos tenham as suas origens em medidas governamentais, descontentamento social, entre outros, também é verdade que a proliferação de fake news ajudou a agravar o panorama em todos os casos. O jornalismo ainda  tem muito a fazer: as tarefas de verificação, tradicionalmente desenvolvidas por eles, devem transcender até aos cidadãos, de modo a generalizar-se uma cultura de verificação da informação antes de partilhá-la.

Post original em espanhol – Autora: Claudia Rodríguez-Hidalgo

Projeto de Tradução coordenado por Lola Lerma Sanchis e Lilian Ribeiro.

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Criando Donald Trump: As aplicações no discurso político sobre o presidente dos Estados Unidos

Tradução: Eva Contreras da Cunha e Lara Sofia Dias (Univ. do Minho/ Portugal)

trumpO título da publicação de hoje corresponde a um ARTIGO publicado na última edição da Revista Comunicar. Recordam quando as fakes news invadiram a internet na época da campanha eleitoral norte americana? Agora vamos falar do crescimento das aplicações sobre Trump. Tudo aponta para novas tendências de criação de conteúdos através das plataformas online.  No artigo que comentamos hoje, destacam-se as motivações dos desenvolvedores, a sua decidida aposta nas aplicações como veículo ideal de expressão criativa no ecossistema digital a acessibilidade  atual do desenvolvimento das aplicações, o valor do contexto mediático para a eleição de uma personagem ou de um tema relevante como pedra angular.

Portanto, na publicação de hoje, apresentamos uma investigação que explora a criação e a mensagem das aplicações sobre o Donald Trump publicadas na plataforma Google Play desde junho de 2015 até janeiro de 2018. (n=412). O interesse do estudo deriva tanto dos seus objetivos como da sua metodologia. Por um lado, pretende-se detectar o perfil, motivações e propósitos dos desenvolvedores das aplicações sobre a figura de Donald Trump e, por outro, identificar as principais características dos discursos das aplicações mais descarregadas.

A investigação desenvolveu-se em duas frentes: um questionário qualitativo de perguntas abertas a desenvolvedores(n=376) e uma análise quantitativa do conteúdo da mensagem das aplicações que superaram os 5.000 downloads (n=117). O questionário identificou a influência da atualidade política nos desenvolvedorese as suas motivações de cariz ideológico e económico, enquanto que a análise do conteúdo revelou a tendência e a evolução dos temas, discursos e o posicionamento ideológico das aplicações mais populares sobre o Donald Trump.

Recomendamos a leitura completa AQUI.

Post original em espanhol – Autor: Paco Pavón  –

Projeto de Tradução coordenado por Lola Lerma Sanchis e Lilian Ribeiro.

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Arte+Ativismo: educação e/ou ação social?

Tradução: Ana Barbosa (Universidade do Minho/ Portugal)

artivismo

O artivismo constitui uma nova linguagem que surge da expansão da criação artística académica e museológica para espaços e lugares sociais. E não só, é também uma ferramenta educativa capaz de romper os papéis tradicionais da comunicação social.

Neste sentido, as doutoras Eva Aladro-Vico e DimitrinaJivkova-Semova da Universidade Complutense de Madrid, juntamente com a catedrática Olga Bailey da Universidade de Nottingham Trent (Reino Unido), apresentam no número 57 da Revista Comunicar uma investigação interessante onde confirmam que a força do artivismo não reside apenas na sua vanguarda estética, mas sim no seu poder revulsivo para mostrar a injustiça, a desigualdade ou o vazio no desenvolvimento humano. Como indicam, a linguagem utilizada é o que constitui a sua caraterística fundamental, uma linguagem atual de autonomia e liberdade.

Com este estudo inovador que estabelece conceitos, descrições linguísticas e funções culturais e educativas do artivismo, com exemplos à escala global, e explora o seu potencial como nova linguagem formativa, justificam a importância do fenómeno artivista em contextos reais de educação e na vida social.

Um trabalho que pode ser consultado em:

Aladro-Vico, E., Jivkova-Semova, D. &Bailey, O. (2018). Artivism: A new educative language for transformative social action. [Artivismo: Un nuevo lenguaje educativo para la acción social transformadora]. Comunicar, 57, 09-18. https://doi.org/10.3916/C57-2018-01

Autora do post original em espanhol: maricaldeiro

Esta tradução faz parte do projeto coordenado por Lola Lerma Sanchis e Lilian Ribeiro.

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Comunicar 63 apresenta debate necessário sobre igualdade de gênero, mídia e educação

Autora: Vanessa Matos

Dossiê antecipa debates que estão sendo pautados no cenário de pandemia por COVID-19

 Disponível gratuitamente desde o dia 1 de abril, a edição 63 da Comunicar apresenta artigos que se debruçam sobre uma tríade essencial para pensar uma aliança global, principalmente em tempos de pandemia e confinamento social. Apesar de não ter sido inicialmente planejada para este cenário, a edição antecipa debates importantes que agora estão sendo pautados emergencialmente por líderes do mundo todo, tais como a igualdade de gênero e o importante papel da mídia na difusão de informações educativas.

Oriundos de três diferentes continentes, os editores temáticos – Dra. María-Soledad Vargas-Carrillo da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso (Chile), Dr. Francisco-José García-Ramos da Universidade Complutense de Madrid (Espanha) e Dra. Alexandra Wake da Universidade RMIT (Austrália), selecionaram, para este dossiê, pesquisas que abordam a presença de conteúdos que versam sobre gênero em currículos de curso de Comunicação Social, a representação da mulher no YouTube, a influência dos stories do Instagram sobre a atenção segundo o gênero, abordagens da imprensa sobre o feminicídio e uma revisão sistemática sobre o tema da igualdade de gênero e TICS em contextos educativos.

A seção Caleidoscópio apresenta pesquisas sobre a importância da comunicação familiar e pedagógica no combate ao bullying (tanto em contextos presenciais quanto em virtuais), estudo do impacto dos laços de amizades em redes sociais virtuais entre alunos e professores, a relação entre depressão em adolescentes e uso abusivo da internet e várias outras investigações que, com certeza, ajudarão o leitor a compreender com mais profundidade os desafios e perspectivas dessa tríade tão necessária para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Acesse agora mesmo a Edição 63 da Revista Comunicar.